Fonte: CNN A Mezinha Há algum tempo atrás, num evento culinário cosmopolita em que participei, constatei que nem todas as espécies de dinossauros desapareceram do planeta Terra. Enquanto os trabalhos no fogão intensificavam, um espécime presente – tiranossauro-chef - agredia consistentemente o seu ajudante com murros e joelhadas por este não cumprir o que ele próprio não foi capaz de delegar, tampouco executar. Terminado o serviço, para gáudio do jornalista que o perseguia, lá cedeu à entrevista com os habituais lugares-comuns do respeito pelo produto, sazonalidade e sustentabilidade. Irónico. Estes são predadores perigosos, cujo entretenimento preferido passa por transformar as cozinhas em autênticas selvas, onde o medo galga fusiforme pela esperança das jovens crias que, fechadas as portas da decência, procuram relativizar, aguentando esperançosas pelo seu lugar no Olimpo da alta cozinha nacional. Até quando? Sabemos que um vírus como a gripe é transmissível entre humanos, a ...
A aldeia de Penhas Juntas não é apenas um ponto no mapa, nem um conjunto de encostas cobertas de mato cerrado. É um território do interior de Portugal e, como tal, não é alheio a fenómenos como a desertificação, porém mantém vivo o espírito comunitário e de entreajuda entre a população. É nesta aldeia que se realiza todos os anos a montaria ao javali. Aqui acorrem dezenas de caçadores do norte do reino. 6:00h: o sino da capela dá as primeiras seis badaladas, o sol ainda dorme, mas a neve e o frio mordem os dedos e o nariz às primeiras almas que irrompem, com valentia, da cama. O ponto de encontro é na casa do padre. Duas horas depois uma grande parte dos caçadores já estava reunida ; abeiram-se da fogueira carregada com lenha de castanheiro, que crepitava no pátio da casa do padre. Este pátio não é um pátio qualquer, está para Penhas Juntas como a sala dos Capelos está para a Universidade de Coimbra. Hoje, despido...