A aldeia de Penhas Juntas não é apenas um ponto no mapa, nem um conjunto de encostas cobertas de mato cerrado. É um território do interior de Portugal e, como tal, não é alheio a fenómenos como a desertificação, porém mantém vivo o espírito comunitário e de entreajuda entre a população. É nesta aldeia que se realiza todos os anos a montaria ao javali. Aqui acorrem dezenas de caçadores do norte do reino. 6:00h: o sino da capela dá as primeiras seis badaladas, o sol ainda dorme, mas a neve e o frio mordem os dedos e o nariz às primeiras almas que irrompem, com valentia, da cama. O ponto de encontro é na casa do padre. Duas horas depois uma grande parte dos caçadores já estava reunida ; abeiram-se da fogueira carregada com lenha de castanheiro, que crepitava no pátio da casa do padre. Este pátio não é um pátio qualquer, está para Penhas Juntas como a sala dos Capelos está para a Universidade de Coimbra. Hoje, despido...
Neste texto, percorremos os caminhos onde descobriremos mais sobre a comunidade judaica que viveu no Reino de Portugal, entre os séculos XV e XVIII. Uma Hagadá com a familia reunida à volta da mesa de Pessah. Arthur Szyk (1894-1951) C omo percebemos, este percurso foi extremamente penoso, fruto das perseguições constantes, dos condicionamentos legislativos assim como pela conversão forçada ao cristianismo. Restaram apenas duas escolhas, a da aceitação à nova realidade e consequente relativização da moralidade e da ética ou, por outro lado, à prática oculta do judaísmo, sendo esta a opção mais arriscada, que conforme perceberemos, conduziu muitos judeus à condenação e à morte. Apesar da vasta disponibilidade documental nesta área não abundam estudos específicos sobre a área da alimentação destas comunidades. Temos o belíssimo artigo da Isabel Drumond Braga, na revista portuguesa de história, nº 361, mas que abo...