Em Portugal, a exaltação de uma política nacionalista, na década de 40, do século XX, estendeu-se não apenas à literatura ou à música, mas também à culinária. Foi também através das Pousadas de Portugal, então sob administração estatal, que se começou a delinear o que viria a ser amplamente reconhecido como a regionalização do receituário português. Mais tarde, na década de 60, vemos prolongada esta empreitada na revista Banquete, de Maria Emília Cancella de Abreu, cuja publicação beneficiava do apoio do regime. Dessa intervenção pedagógica e institucional restam hoje algumas ações de promoção gastronómica da TAP, que nada mais fazem do que replicar o modelo de divulgação adotado no século passado. Em abundância, paira também todo um conjunto de crenças e mitos que vão desde a doçaria conventual às alheiras, e que rapidamente se estabeleceram como verdades. Fotografia: Filipe Sobrinho Como será expectável, não posso reconhecer qualquer legi...
Fonte: observador.pt Jornalistas escrevem, cozinheiros desabafam, empresários alertam. O tema das manchetes de janeiro a março. Depois vem o sol. À parte das emotivas declarações que vão surgindo e da economia paralela, como o pagamento de salários em numerário, por exemplo, urge atentar aos factos. Que há uma crise, todos nós já sabemos; o que falta descobrir é que tipo de crise. Por um lado, temos um pequeno grupo de restaurantes que, presentes nos guias mais prestigiados, nacionais e internacionais, são frequentemente apresentados como o espelho da vitalidade gastronómica do país. Por outro, a vida real. Das pessoas comuns. Dos pequenos espaços. Segundo dados da DGE, em 2024 uma grande parte das empresas com o CAE 561 (Restaurantes, incluindo restauração móvel) empregava entre 1 e 9 trabalhadores, ou seja, trata-se de um sector dominado por microempresas. Este modelo, compreensivelmente, é aquele que se revela mais frágil pela ausência...