Neste texto, percorremos os caminhos onde descobriremos mais sobre a comunidade judaica que viveu no Reino de Portugal, entre os séculos XV e XVIII. Uma Hagadá com a familia reunida à volta da mesa de Pessah. Arthur Szyk (1894-1951) C omo percebemos, este percurso foi extremamente penoso, fruto das perseguições constantes, dos condicionamentos legislativos assim como pela conversão forçada ao cristianismo. Restaram apenas duas escolhas, a da aceitação à nova realidade e consequente relativização da moralidade e da ética ou, por outro lado, à prática oculta do judaísmo, sendo esta a opção mais arriscada, que conforme perceberemos, conduziu muitos judeus à condenação e à morte. Apesar da vasta disponibilidade documental nesta área não abundam estudos específicos sobre a área da alimentação destas comunidades. Temos o belíssimo artigo da Isabel Drumond Braga, na revista portuguesa de história, nº 361, mas que abo...
Luís Sttau Monteiro. Fonte: Newsmuseum O autor manifesta o seu profundo agradecimento à Doutora Irene Maria de Montezuma de Carvalho Mendes Vaquinhas pelas magníficas lições que lhe proporcionou. Estamos perante um dos maiores críticos gastronómicos de Portugal, o qual infelizmente tem sido pouco trabalhado. Existem dois livros relevantes que abordam esta temática, um de Fátima Iken e outro de Ana Marques Pereira. Fátima Iken foca-se na análise do período entre 1969 e 1975 e, por coincidir em parte com o período que analisamos, afastamos o seu uso, pois após uma leitura percebemos que carece de um enquadramento geral, quer do jornal, quer do suplemento, que cremos fundamental. Já a obra de Ana Marques Pereira, explora principalmente os apontamentos de Sttau Monteiro, transcrevendo-os. “Criar é uma forma de lutar contra a morte!” (Varela,1978) – esta afirmação de Sttau Monteiro sintetiza de forma eloquente a n...